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DISCOS CLÁSSICOS: Pet Shop Boys | Introspective

por johnny, 17 de set. de 2010

Já faz mais de 20 anos que o duo Pet Shop Boys (formado por Neil Tennant e Chris Lowe) lançou um dos maiores discos da história da música eletrônica. Um dos maiores símbolos dos anos 80, há um bom tempo vinha lançando álbuns de espetacular qualidade (vide Please e Actually) e sucesso, mas foi com esse disco que, em 1988, eles alcançaram o topo do sucesso, principalmente aqui no Brasil, onde segundo os arquivos da EMI, foi o álbum da gravadora mais vendido no país.

Começa com o pretensioso e lindo arranjo de orquestra em "Left To My Own Devices", certamente uma das canções mais lindas do álbum, na sequência temos a ótima "I Want a Dog" ( " eu quero um cão, um chihuahua / quando eu chegar ao meu pequeno apartamento / preciso ouvir alguém latir/ você pode se sentir tão só "), esta com direito a um solo de piano brilhante, depois segue com a pop e ensolarada "Domino Dancing", sucesso absoluto nas rádios brasileiras do fim da década.

Em seguida "I'm Not Scared", um exemplo de como é possível juntar melancolia e uma batida dance, com letra e arranjo impecáveis, a faixa contém samples de gravações da tv francesa de maio de 1968. Na sequência temos duas versões, "Always On My Mind" (que torna a versão original esquecível) e "I'ts Alright", do produtor Sterling Void, que fecha o disco em grande estilo, com uma levada poderosa. Esta última, assim como "Left To My Own Devices", tem produção de Trevor Horn.

Introspective é, sem dúvida, um dos 10 melhores discos dos anos 80. Com produção caprichada e a capa ousada para a época, pois remetia ao símbolo GLS (as sete cores do arco-íris), e logo tornou-se um clássico instantâneo, sucesso absoluto de crítica e público. Após mais de 20 anos ele continua fascinante, e ajudou a transformar o Pet Shop Boys numa lenda da música eletrônica, ou do synth pop, como é melhor definido o som deles.

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Discos Clássicos: The Style Council | Café Bleu

por johnny, 16 de set. de 2010

Paul Weller deixou o The Jam, banda punk inglesa, para desbravar outros terrenos sonoros. com parceria de Mick Talbot (ex- Dexy´s Midnight Runners) ele produziu o primeiro LP , "Café Bleu," um álbum muito eclético para ser considerado um obra prima mas pelos seus acertos, vale a pena ouvi-lo. A mistura perfeita de R&B, jazz e pop resultou em um som divino.

A primeira faixa instrumental tem como base um piano maravilhosamente tocado por Talbot, em seguida o que Weller melhor sabe fazer, uma balada pop perfeita para ser ouvida, "the whole point of no return" é simplismente magnífica com uma guitarra dedilhada e a voz potente . Na terceira faixa evidencia o ecletismo do álbum, um jazz malucão e muito suingado que lembra os bons momentos do mestre Miles Davis. Talvez Weller nunca tivesse contentado com seu antigo grupo, pois não tinha a liberdade de experimentar tanto como agora. "Blue Café "é divinamente bela, com seus dedilhados de guitarra tocados brilhantemente por Paul. Mais uma vez as influências jazzisticas continuam a guiar o álbum.

"The paris match" é cantada pela ótima Tracy Horn, vocalista do "everything but the girl," ela interpreta a música de uma forma tão comovente que quase nos faz chorar. Em seguida uma dos melhores momentos do disco, "my ever changing moods" é uma balada que fez muito sucesso nos bailes e seu piano e a voz encantadora de Weller tornaram essa cançao uma pérola pop, ele realmente sabia compor belas canções pop.

O álbum tem seus momentos ruins, faixas como "dropping bombs on the white house e a gospel ",um rap muito estranho que chega a constranger o ouvinte acostumado com o ritmo jazzistico do álbum, mas a salvaçao vem com uma das mais belas canções dos anos 80, "you´re the best thing", uma música para ser ouvida juntinho com seu amor, um momento brilhante da carreira de Paul Weller.

O álbum ficou eclético demais para ser levado a sério, apesar de sua variedade ter um grande mérito. Chegou a fazer muito sucesso na inglaterra, influenciando outros artistas como o próprio "everything but the girl" e "swing out sister". As pérolas contidas neste álbum fazem com que ele mereça ser ouvido.

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Michael Jackson: Seu Inesquecível "Thriller"

por johnny, 15 de set. de 2010

Em 1982, a MTV exibiu pela primeira vez Billy Jean, do superastro Michael Jackson, causando grande impacto. O melhor viria pouco tempo depois, quando John Landis dirigiu a inesquecível dança dos zumbis do clipe de thriller, uma superprodução de 14 minutos de duração que levaria os vídeos de música a uma nova dimensão, na qual criatividade e grana seriam essenciais. MJ quebrou duas barreiras na MTV: a de sua raça e a da arte de criação de vídeos e a emissora consagrou-se o principal veiculo de promoção do rock e do pop.

Ao lado do produtor Quincy Jones e do cineasta John Landis, Michael Jackson deu um passo à frente de sua época e mudou a linguagem dos vídeos musicais para sempre. O trio apostou na qualidade de roteiro de cinema e edição de filmes publicitários, em detrimento de um playback simples, frio com uma direção de arte pobre em efeitos e técnica, que eram usados até o momento.

Até então, nenhum vídeo tinha sido tão caro, Thriller custou inacreditáveis 500 mil dólares, um absurdo para os padrões da época, atingindo um nível tão alto de qualidade, com direito a uma pequena história cinematográfica dentro de outra historia, alem da inesquecível dança de zumbis, maquiagem e efeitos especiais. A partir deste momento, a indústria do vídeo da música iria considerar este estilo de dança, com artistas alinhados, a nova norma mundial.

Thriller é um ícone imprescindível para a cultura pop. A jaqueta vermelha e a calça curta de MJ, a dança dos zumbis, a gargalhada de Vicent Price ao final. Suas imagens inspiraram centenas de outros videoclipes que viriam depois e tranformou MJ no astro mais famoso do mundo. Boa parte do sucesso de vendas do álbum thriller deve-se a esse clip.

Thriller marcou gerações de todo o planeta, foi o vídeo mais assistido de todos os tempos e também o mais parodiado. Suas influencias são infinitas, basta olhar adiante e ver quantos artistas bebem da sua fonte. Aqui no Brasil ele foi exibido pela primeira vez no fantástico, que o reprisou na semana seguinte a pedidos dos telespectadores. No auge de sua popularidade o vídeoclip chegava a ser reprisado duas vezes por hora na MTV americana. Nenhum outro videoclipe teve tamanha repercussão, antes ou depois.



Curiosidades:

Thriller chegou a ter uma premiere em um cinema de Los Angeles, com a presença de dezenas de artistas como Marlon brando, Elizabeth Taylor, Cher, Diana Ross, eddy Murphy e Prince. A platéia aplaudiu o vídeo de pé e exigiu que ele fosse repetido.

A pesquisa, realizada pelo MySpace, entrevistou mais de mil fãs de música. Os entrevistados fizeram a escolha a partir de uma lista de 20 videoclipes selecionados por críticos do cinema e do entretenimento. Thriller, reconhecido por ter rompido as fronteiras entre produção de música e cinema, conquistou 15,2% dos votos, à frente de Here it Goes Again, sucesso de 2006 na Internet com a banda OK GO dançando em esteiras de ginástica.

Direção: John Landis
Produção:
George Folsey Jr.
Roteiro:
John Landis & Michael Jackson
Elenco:
Michael Jackson & Ola Ray
Lançamento:
02 de dezembro de 1983
Duração:
13:43 min.
  • agradecimento à revista BIZZ

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Seu Madruga: Um Ícone Pop

por johnny, 14 de set. de 2010

Chaves é o seriado mexicano mais famoso e mais assistido no mundo, com seu humor ingênuo e eficaz, marcou e continua a marcar gerações a cada ano que é exibido na TV aberta. O sucesso deve-se em parte a simplicidade das personagens e a familiaridade com o povo brasileiro que se identificou com as situações vividas pelas personagens.

De todos o mais divertido e próximo da realidade brasileira é o Seu Madruga. Um cara que vive de bicos e nunca perde a esperança de tempos melhores. Com bom humor e um pouco de cinismo, sempre consegue enrolar o Seu Barriga quando este vem cobrar aluguel. De cara o brasileiro, se identificou com a personagem e adotou seu madruga como ícone Pop. O seu madruga pode ser visto estampado em camisetas, seus bordões ainda são lembrados e seu modo de vida ainda é um realidade no nosso país.

Por isso o jornalista Pablo Kaschner decidiu escrever o livro "Seu Madruga - vila e obra", onde reúne curiosidades, frases antológicas e diálogos memoráveis de um dos moradores mais famosos da vila de Chaves, personagem criado pelo mexicano Roberto Gómez Bolaños.

"Seu Madruga é a antítese do que a sociedade de consumo espera de um homem adulto: desempregado crônico, eterno devedor, um malandro que declara o ócio como princípio e a procrastinação como fim", diz o jornalista, autor do livro publicado pela editora "Mirabolante".

Segundo Pablo, é curioso que um personagem como este “modelo de como não se deve ser", seja idolatrado por fãs de todas as idades, e que mais de 30 anos depois do lançamento da série no México ela continue tendo audiência no Brasil.

"Talvez seja uma resposta do público ao império do politicamente correto que domina a sociedade e que se vê refletido nos programas de humor", afirma Kaschner, que considera que "Hoje seria impossível ter um personagem que fuma em cena em uma série assistida por milhões de crianças".

A idéia surgiu após o autor ter lançado o livro “Chaves de um sucesso”, seu primeiro livro sobre o seriado.

Capítulo à parte:

"Seu Madruga", segundo ele, "merecia um capítulo à parte", mas não só isso, e daí surgiu todo um novo livro.

O livro percorre a história de Ramón Valdez Em 14 capítulos, o mesmo número de meses de aluguel que Seu Madruga devia a Seu Barriga, ator que dá vida ao pai de Chiquinha e que morreu há vários anos.

A publicação traz também fotos inéditas, entrevistas com o dublador do personagem na versão brasileira da série, Carlos Seidl, e com Edgar Vivar, ator que interpreta Seu Barriga, além de um desafio aos conhecimentos dos verdadeiros "madrugamaníacos".

"Seu Madruga não se importa em ser idolatrado, mas tem um carisma que fala por ele", define Kaschner.

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Erykah Badu e Seu Vídeo Polêmico

por johnny, 13 de set. de 2010

Alguns artistas utilizam o videoclip como forma de protestar ou divulgar alguma causa. Coldplay, U2, The Christians são alguns exemplos que souberam lançar mão da mídia para projetar seus ideais e protestos. Erkah Badu soube fazer isso da melhor forma possível em um clipe polêmico e muito divulgado em 2010 nas mídias de comunicação.

O vídeo para a canção Window Seat começa com Badu saindo de um carro para então caminhar pela rua Dealey Plaza, em Dallas, Texas, o mesmo local onde Kennedy foi assassinado em 1963 e despindo aos poucos em plena luz do dia aos olhares de trabalhadores e familias inteiras, incluindo crianças. Eles acompanham a cena incrédulos, pois a gravação é feita sem cortes e sem figurantes. Ao chegar ao local onde Kennedy foi assassinado, ouve-se um tiro e ela cai no chão. Um liquido azul que simula sangue, escorre pela rua formando a palavra “groupthink”. Em seguida a câmera gira ao redor do lugar e de repente a cantora ressurge ainda nua, com uma peruca estranha que cobre seus seios.


A cantora diz ser contra o groupthink, expressão que significa pensamento coletivo e que foi criada em 1952 pelo sociólogo e jornalista norte americano William H. Whyte. Trata-se de uma corrente socialista que acredita que a melhor forma de um grupo chegar a um consenso e minimizar conflitos é não haver espaço para contestar, analisar e avaliar outras idéias. Desta forma, membros do mesmo grupo evitam promover pontos de vista fora do conforto do pensamento consensual. Umas das suposições que levam a crer que Badu seja contra o groupthink é o fato de existir falhas nessa linha de pensamento como por exemplo, uma pessoa que tem medo de expressar-se pelo temor de sofrer rejeição por parte do público maior. Talvez essa seja a mensagem principal do video.

Em entrevista ao jornal americano The Dallas Morning News, a cantora de soul, de 39 anos, disse que o vídeo era "um protesto" e um convite para que as pessoas "se libertem". No twitter Badu explicou que seu vídeo é uma declaração contra o pensamento de grupo e as regras não escritas ao se referir a teoria da psicologia social. O video causou intensa polêmica e foi assunto de várias discussões em blogs mundo afora. Um internauta no Youtube disse:

"Isso foi profundo, uma bela expressão. Nós como pessoas condenamos o que não compreendemos, abra suas mentes e seus corações e sejam verdadeiramente livres e não tenham medo de se expressar (individualmente)"


Uns acusam a cantora de se promover utilizando da fama de kennedy. outros acreditam que ela apenas quis mostrar seu ponto de vista em um lugar simbólico para os norte americanos. John Kennedy levou um tiro na cabeça em 1963 quando passava de carro pela praça Dealey, e seu assassinato provocou comoção nos EUA e no mundo. O local de sua morte é amplamente visto como um lugar sagrado.

Sobre as filmagens Badu afirmou que ficou mais tensa e nervosa com a possibilidade da policia aparecer do que com o fato de ficar nua em público.

"Estava concentrada durante a filmagem desse vídeo, e fazê-lo me permitiu vencer os temores e lentamente domá-los. Estava muito preocupada com os policiais para ter vergonha da minha nudez."


A artista vencedora dos Grammy em 1997 graças à música "On & On" também contou que as pessoas nas ruas gritavam: "este é um lugar público. Deveria se envergonhar" ou "coloque a roupa!".

A ousadia lhe rendeu uma multa de 500 dolares e 6 meses de prisão que serão cumpridos em regime domiciliar. A justiça texana alegou má consuta de cantora depois que varias queixas foram dadas a justiça local, após o vídeo fazer sucesso na net.

Erica Abi Wright é uma bem-sucedida cantora de R&B. batizou-se de Eriyah Badu em 1997, ano que lançou o primeiro álbum e o sucesso “on & on”. No mesmo ano ganharia o Grammy de melhor álbum e melhor vocal feminino. A música para esse vídeo está no álbum New Amerykah Part Two: Return of the Ankh, lançado em março de 2010. A canção Window Seat é uma das mais escutadas de 2010.

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CLÁSSICOS DA MÚSICA: Def Leppard | Hysteria

por johnny, 2 de set. de 2010

Def Leppard é uma das bandas de hard rock mais amadas do mundo. Tendo vendido milhões de discos e chegado ao topo da parada com esse álbum pesado e sensacional. Hysteria marcou o auge do grupo, vendendo mais de 16 milhões de cópias e 7 singles nas paradas de sucesso.

O seu maior hit foi "Love Bites", uma balada ultra-romântica que fez muito sucesso no Brasil com a versão breguíssima (essa palavra não existe mas eu quiz usá-la) do grupo farofa Yahoo (argh), "quando faz amor/ se olha no espelho", lembra, né? Pois bem. Mas não só de baladas agridoces é composta essa obra prima do hard rock, só na primeira audição de "Animal" já dá para perceber o potencial da música, sendo a minha preferida do grupo com uma letra animal (desculpa o trocadilho):

"E eu quero, e eu preciso/E eu anseio animal/Me pegue, pegue-me/Faça de mim seu animal/Me mostre me afague/Deixe-me ser seu animal/Eu quero, ooh yeah, animal"


A canção é muito bacana mesmo, um clássico oitentista que só deve ser ouvido no volume máximo, pois é impossivel aproveitá-la ao som baixo. Outro clássico é a faixa título, uma balada que não chega a ser cafona como "Love Bites" e possui uma harmônia de arranjos muito firme. Além de "Animal", "Love Bites" e "Hysteria", outros sucessos tocaram muito nas rádios estadunidenses: "Women", "Run Riot", "Armageddon It", "Rocket" e "Pour Some Sugar On Me". Esta última tem uma história curiosa, quando ela estourou nas rádios, virou trilha sonora de clubes de striptease de todo o país. Não é difícil supor porque:

"Escute! Luz vermelha, luz amarela, luz verde - vai!
Mulherzinha louca em um show de um homem só
Rainha do espelho, manequim, ritmo do amor
Doce sonho, sacarina, relaxe"


"Jogue um pouco de açúcar em mim
Oh, em nome do amor
Jogue um pouco de açúcar em mim
Venha, excite-me
Jogue um pouco de açúcar em mim
Oh, eu não estou satisfeito o bastante"


"Você tem os pêssegos, eu tenho o creme
Sabor doce, sacarina
Porque eu estou quente, tão quente, doce grudado
Da minha cabeça aos meus pés
Você quer açúcar? Uma colher ou duas?"

Animaaaaaaaaaaaal !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Seu grande sucesso nos EUA demostrou que valeu a pena investir uma fortuna na produção (se vendesse menos de 5 milhões de cópias o disco daria prejuízo), Hysteria chegou a vender 1 milhão de cópias por mês (parece história de Michael Jackson) nos 6 primeiros meses do lançamento. O total acumulado é de 12 milhões só na terra do tio Sam. Hysteria deixou sua marca na história do rock.

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CLÁSSICOS DA MÚSICA: The Smiths | The Queen Is Dead

por johnny, 24 de ago. de 2010

O ano de 1986 foi marcado por grandes acontecimentos, contribuindo com fatos que marcaram a década: Chernobyl é assolada por um desastre nuclear.; o plano cruzado é criado; Peter Gabriel lança um dos álbuns mais importantes do mundo pop "So"e aconteceu a explosão do ônibus espacial americano Challenger.

Mas também foi um ano espetacular para a música inglesa. Em julho de 86 o grupo de manchester The Smiths lança o álbum que é considerado sua obra prima, "THE QUEEN IS DEAD". Revistas como Spin, Melody Maker e Rolling Stone elegeram como um dos 10 melhores álbuns de todos os tempos. E não foi a toa. Todo esse prestígio alcançado tem seu motivo: The Queen Is Dead é de uma beleza imaculada e permanece como um dos mais belos discos de rock de todos os tempos.

Antes de mais nada vale ressaltar que o Smiths foi uma banda revolucionária para a época, eles foram os responsáveis pela revolução do rock britânico, botando um fim na era dos sintetizadores e trazendo de volta as guitarras. As letras de Morrissey - de quebra, ultra polêmicas - se adaptavam perfeitamente às melodias de Johnny Marr (talvez a maior dupla da historia do rock, depois de Lennon/Mcartney e Jagger/Richards) e juntamente com Andy Rouke(baixista) e Mike Joyce( baterista) formaram o The Smiths, a banda mais importante da inglaterra dos anos 80.

O álbum, assombroso mas, ao mesmo tempo hilariante, é um ataque selvagem a familia real,principalmente a Margareth Thatcher, que na época ocupava o cargo de primeira ministra. A dama de ferro, como era conhecida, conservadora até a medúla e com cara de poucos amigos, chegou no poder fazendo varias reformas trabalhistas, defendendo o fim da educação gratuita, a privatização de várias empresas e a criação de novos impostos.

O desemprego aumentou muito naquela época e isso causou a fúria dos ingleses e Moz, claro, não deixou passar em branco e desabafou todo o seu odio por Thatcher e a então, atual rainha da inglaterra Elisabeth II gritando que a rainha está morta e os jovens não precisam mais se preocupar. Simplismente sensacional.

As letras de Morrissey, com referências homossexuais estão presentes nas canções "The Boy With the Thorn in His Side" e "There´s a Light That Never Goes Out", esta, considerada a mais bela de todas, e não é por menos. O refrão cortante em que o sagaz Moz canta o desejo de morrer ao lado da amada (ou do amado), morte essa abençoada, pois o prazer e o privilégio de morrer seriam dele. "Cemtery Gates" é uma crítica aos criticos que acusam moz de plagiar Oscar Wilde:

"Não plagie ou pegue "emprestado"
Porque há sempre alguém, em algum lugar
que é narigudo e sabe
E que te passa uma rasteira e ri
Quando você cai
E que te passa uma rasteira e ri
Quando você cai"


Em "Bigmouth Strikes Again"o desbocado Moz ataca outra vez, e é condenado por isso. agora ele sabe como Joana D'Ark se sentiu. Na verdade a letra insinua que o que Morrissey fala é tão ofensivo a ponto de não merecer fazer parte da raça humana. Uma auto critica bem cínica sobre o teor das letras, polêmicas e que incomodavam os burgueses da Inglaterra."Some Girls are Bigger Than Other", apesar de ter uma letra simples, dá margens a várias interpretações por sua suposta anbiguidade.

The queen is dead será sempre lembrado pela beleza e enorme influência que causou nas bandas brasileiras, especialmente o Legião Urbana, que apossou temas como angustia e solidão em suas músicas. Mas nenhuma banda conseguiu alcançar a qualidade dessa obra prima dos anos 80, que sempre será lembrado com o maior trabalho já feito pelo grupo.

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CLÁSSICOS DO CINEMA: Clube Dos Cinco (1985)

por johnny, 23 de ago. de 2010

Hoje eu assisti um filme sensacional, um clássico dos anos 80 que provavelmente todo mundo deve ter assistido, menos eu. Bom, o nome do filme é O CLUBE DOS CINCO ( breakfast club,1984), dirigido pelo genial John Hughes(1950-2009) e fez muito sucesso naquela década.

O mérito do filme é que pela primeira vez o adolescente foi retratado como realmente é: suas angústias, inseguranças, frustrações e medos foram caracterizados de uma maneira surpreendente e com uma linguagem simples e cativante.

Na trama cinco alunos de uma escola em Chicago cumprem um castigo nada comum: passar o sábado inteiro trancafinados em uma sala na escola como punição por terem sido suspensos por variadas razões (imaginem o que eles aprontaram).

A patricinha ( MOLLY RINGWALD, ícone adolescente e musa de HUGHES), o atleta ( EMILIO ESTEVES, aqui um ilustre desconhecido), a esquisitona(ALLY SHEEDY), o nerd ( ANTHONY MICHAEL HALL, irreconhecível em Edward mãos de tesoura) e o rebelde (JUDD NELSON, brilhante nesse papel), personalidades totalmente diferentes dividindo o mesmo espaço.

Aos poucos eles vão se conhecendo e descobrindo que têm muito em comum e isso leva o espectador a se envolver cada vez mais com a história afim de querer descobrir os segredos intímos de cada um. Com o passar das horas a relação entre eles se estreita e as verdades são reveladas, ressentimentos são verbalizados e cada um tem sua vez de brilhar; e brilham mesmo, em interpretações que fazem chorar.

O filme nos faz refletir sobre as consequências de uma má educação paterna e como a figura do pai/mãe é importantíssima para o equilíbrio do adolescente que, de certa forma é jogado num mundo repleto de dúvidas e inseguranças acompanhadas com uma pintada de medo e frustação.

Sem dúvidas é o filme adolescente definitivo, seja pelo timing perfeito, pelos desempenhos afiados ou pela trilha sonora dos anos 80, embalada pelo sucesso "Don´t You (forget about me) " interpretada pelo grupo escocês SIMPLE MINDS e que foi composta especialmente para o filme. Realmente será impossível esquecer esse clássico.

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Quem é esse tal de Damon Albarn?

por johnny, 18 de ago. de 2010

Primeiro veio o Blur, uma das bandas do Britpop mais originais surgidas na Inglaterra dos anos 90; depois surgiu com o projeto Gorillaz, uma ideia genial de juntar desenho animado e música da melhor qualidade que resultou num dos grupos musicais de maior sucesso dos últimos anos e ainda sobrou tempo pra se reunir com antigos integrantes do Clash, Verve e Afrobeat e criar a mais brilhante trilha sonora da vida londrina com sua outra nova banda - The Good, The Bad & The Queen.

Estamos falando do Damon Albarn, o mentor de todas essas bandas e um dos maiores gênios da música dos últimos tempos. É verdade que na história do rock, ele e sua banda Blur figuram como vices na disputa entre o Oasis pelo primeiro posto em influência e popularidade.

Contudo, Albarn conduziu sua carreira de forma surpreendente e muito bem sucedida, diga-se de passagem, ao apostar em dois projetos inusitados: o primeiro, o Gorillaz, com integrantes transformados em personagens virtuais e uma mistura de Hip-Hop e rock, vendeu mais de 12 milhões de cópias ao redor do mundo de seus dois álbuns de estúdio - o brilhante Gorillaz e o ótimo Demon Days (eleito um dos 10 melhores álbuns de 2005, segundo a Rolling Stone) .

O segundo projeto batizado de The Good, The Bad & The Queen. Uma "superbanda", com músicos consagrados por outros trabalhos como Paul Simonon, baixista da lendária banda punk inglesa The Clash; Simon Tong, ex-guitarrista do The Verve e o baterista do Afrobeat Tony Allen, todos músicos excepcionais em seus instrumentos.

Blur

Em 1989, Albarn junta-se a amigos da faculdade e formam o grupo Seymour, mudando mais tarde para Blur, com o Blur eles alcançam o estrelato na Inglaterra com o álbum Parklife (1994), um desfile de preciosidades, que retratavam os costumes do povo londrino, a obra prima do quarteto só não alcançou sucesso planetário porque seus temas ainda giravam em torno dos costumes ingleses. Porém em 1997 veio o estouro mundial com o álbum homônimo e o grande hit de dois minutos song 2.

A canção foi um marco na carreira do grupo, tornando-os conhecidos no mundo todo e definindo o novo som do grupo. A mudança veio devido ao crescente declínio que o Britpop (estilo musical mais popular e influente da Inglaterra no anos 90 por causa de bandas como Oasis, Suede e o Blur) estava sofrendo. Agora com guitarras mais barulhentas, com influências do Pavement, Sonic Youth e Dinossaur jr. o Blur já podia se sentir renovado.

Entretanto os tempos eram outros e após o lançamento do sexto álbum de estúdio "13" a banda não conseguiu manter o sucesso de antes, assim como outras bandas do britpop como Oasis, The Verve e Travis.

single de "Stylo" do Gorillaz

Em 2001, após o fim não oficial da banda, Damon decide trabalhar em um projeto paralelo, chamou alguns músicos e o cartunista Jamie Hewlett, criador da HQ Tank Girl e criou o grupo Gorillaz. Um sucesso mundial. a banda que misturava batidas hip-hop e rock fez tanto sucesso que depois ninguém lembrava mais que o seu mentor era vocalista do Blur, isso devido ao fato de que o grupo era formado por personagens virtuais, uma novidade, "avatares" que representavam os quatro integrantes oficiais: Tina Weymonth (Talking Heads e Tom Tom Club), o DJ canadense Kid Koalae o veterano cantor cubano Ibrahim Ferrer. com músicas como Clint Eastwood, Feel Good Inc. e Dare eles alcançaram a parada de sucesso e foram trilha de muitas baladas.

Recentemente o Gorillaz lançou mais um álbum de inéditas, intitulado Plastic Beach. Desta vez, com participação de músicos como Lou Reed, Paul Simonon e Mick Jones (também do Clash)entre outros. Vale a pena dar um ouvida, o disco é bom do inicio ao fim e promete ser um dos destaques de 2010.

Em 2007, chega as lojas The Good, The Bad & The Queen, "uma misteriosa obra sobre Londres" - assim definiu Albarn, um disco genial com produção sofisticada, criando um carrossel de melancolia, cujo resultado final deixa o ouvinte com vontade de ouvir mais.

A novidade agora é um passeio pela música africana, o pop inglês ( pode-se perceber influencias do álbum Parklife), o jazz e o hip hop americano - alias, este estilo musical está sempre presente nos últimos projetos do vocalista.

Com toda a certeza eu posso afirmar sem medo que Damon foi um dos maiores gênios da música dos últimos 20 anos. Ele compôs vários sucessos que marcaram uma geração, influencia muitos grupos ingleses e de todo o mundo, liderou aquela banda que para muitos foi a principal percussora do movimento Britpop, o Blur.

Criativo, Albarn não se prendeu apenas ao seu grupo e busca sonoridades diferentes com outros projetos, como o Gorillaz e o The Good, The Bad & The Queen e apesar de sua primeira banda ter perdido o duelo com o Oasis, ele sim, pode ser considerado um vitorioso. Reinando na cena pop inglesa com maravilhosos trabalhos, que repercutirão por muitos anos.

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Rolling Stone de Setembro: Elenco de True Bood nús na capa

por johnny, 17 de ago. de 2010

A Rolling Stone mais uma vez traz em sua capa uma foto polêmica. Desta vez são os sexy protagonistas da série norte americana True blood. Como de costume a revista adora provocar o público com capas ousadas e provocantes e desta vez acertou na mosca. Como a série contém muitas cenas de sexo intenso e voraz, alem de retratar os vampiros de uma forma mais humana, a transformou numa das mais cultuadas dos últimos anos.

A edição de setembro traz na capa os protagonistas Anna paquim (a telepata Sookie, a Vampira de X-MEN), Alexander Skarsgard (o vampiro bonitão Eric) e Stephen Moyer (o vampiro apaixonado Bill) completamente nus e ensanguentados - na imagem Moyer aparece com as mãos cobrindo os seios de Anna. Na vida real eles são noivos!

A sensualidade da capa transparece o espírito sexual da série de uma forma tão verdadeira e intensa que nem precisaria de texto algum, as imagens falam por si só. A verdade é que uma série que quebra os padrões das histórias vampirescas, em que os vampiros deixam de ser seres sedentos por sangue humano e assexuados deve ser tratada como revolucionária para a cultura dos solitários e imortais vampiros.

A Rolling Stone talvez tenha a intenção de mostrar como a série seguirá influenciando outras obras futuras a respeito dessas criaturas tão misteriosas e fascinantes e nós, simples mortais, não nos cansamos nunca de admirá-los na sua maior infinitude.

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Simple Minds no Brasil!!!

por johnny,

Ícone dos anos 80 volta ao Brasil para uma séries de shows

O grupo Simple Minds, que fez muito sucesso nos anos 80 com a música “Don´t you forget About Me” retorna ao Brasil pela terceira vez para uma série de shows na terra do carnaval.

Eles tocam em São Paulo nesta terça-feira (17). A banda ainda toca no Rio de Janeiro na quinta-feira (19), em Brasília no sábado (21) e termina a viagem se apresentando em Porto Alegre no domingo (22).

O show promete ser uma celebração dos anos 80, já que o Simple Minds manteve um sucesso estrondoso em toda a década e marcou a adolescência de muita gente, principalmente os jovens que cresceram assistindo as comédias geniais de John Hughes. O seu maior hit e até hoje insuperável, “don´t you forget about me”, foi composto para a trilha sonora do clássico Clube dos Cinco(1985), o filme que revolucionou o gênero comédia romântica como o filme adolescente definitivo.

Ainda sobre a faixa, que foi composta por Keith Forsey e inicialmente oferecida para Billy Idol e Brian Ferry, não estava nos planos da banda na época, conta Kerr. “Nós já tínhamos o single ‘Alive and kicking’ na manga, que era para ser o nosso grande hit. Foi só uma música que a gente gravou em uma tarde, para um filme. Não era para ser parte da nossa estratégia, nem entrou no álbum, mas se transformou em um monstro colossal”, lembra.

O cantor afirmou que a canção voltou às paradas depois da morte de John Hugues e se tornou a música dos anos 80 mais tocada nos EUA recentemente.

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CLÁSSICOS DO CINEMA: Conta Comigo (1986)

por johnny,

Um dia folheando o livro 1001 filmes para ver antes de morrer eu encontrei um que havia assistido a muito tempo e que tinha me emocionado muito. O filme se chama "Conta Comigo "( Stand By Me, Rob Reiner) de 1986. baseado no conto "The Body" de Stephen King, é poeticamente dirigido por Reiner e com um elenco jovem brilhante liderado pelo falescido River Phoenix (1970-1993), um dos melhores atores daquela década que, na trama, interpreta um garoto sonhador e pertubado assim como seu melhor amigo, o dócil Gordie (Wil Wheaton) que nao aceita a morte do irmão mais velho ( John Cusack, em inicio de carreira).

Além deles há dois meninos que vivem se implicando o tempo todo, Teddy( Corey Fieldman) e o gorducho Vern (Jerry O´connell). A história é sobre a amizade entre esses quatro amigos que decidem partir por uma longa jornada para encontrar um cadáver de um garoto desaparecido a 3 dias.

Enquanto o roteiro desenvolve com habilidade os medos, os jogos, as frases marcantes ( Mickey é um rato, Donald é um pato, Pluto é um cachorro. o Pateta é o que?), os segredos vão sendo compartilhados em interpretações marcantes. Além da presença de jovens atores que iriam despontar num futuro próximo (Kiefer Sutherland e John Cusack) o filme mexe com a infância do telespectador ao mostrar como os amigos de infância são realmente as únicas amizades verdadeiras que conquistamos na vida, pois quando crescemos a inocência e a ingenuidade perdidas nao permitem mais amizades verdadeiras e puras.

Narrada pelo adulto Gordie( Richard Dreyfuss, que naõ foi mencionado nos créditos finais, pelo menos eu nao vi) o drama termina com cada personagem seguindo rumos diferentes, assim como acontece aos nossos queridos amigos da infância, e nos faz lembrar como foram importantes aquelas pessoas em nossas vidas.

Um filme lindo e poético que mexe profundamente na alma humana ao relatar uma história não tão trágica mais marcante o suficiente para reflertimos sobre o verdadeiro sentido da vida, que nós só percebemos as maravilhas da juventude quando já temos passado por ela. Uma obra inesquécivel que ficará quardada para sempre na minha memória como um relato da sociedade em que vivemos, fútil, distante e artificial.

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CLÁSSICOS DA MÚSICA: Paul Simon - Graceland

por johnny, 16 de ago. de 2010

Paul Simon é um artista norte americano, que fez muito sucesso na década de 60 quando fazia parte da dupla Simon & Garfunkel, ao lado do parceiro Art Garfunkel, entre seus maiores sucessos estão, The Sounds of Silence, Bridge Over Troubled Water e Mrs Robson. Nos anos 70, Simon seguiu carreira solo, sempre lançado discos interessantes como Paul Simon (1974) e Heart and Bones (1982), mas foi com Graceland que o cantor obteve seu maior êxito comercial.

Lançado originalmente em 1986, graceland é um belíssima homenagem a música africana. Com participações maravilhosas de Miriam Makeba (“Under african skies”) e Ladysmith Black Mambazo (“Diamonds on the soles of her shoes”), entre outros artistas africanos, o álbum foi um sucesso enorme e ganhou o Grammy de melhor álbum do ano, vendendo 14 milhoes de cópias.

O repertório conta com 11 canções de puro bom gosto e brilhantismo, mesclando ritmos africanos com uma sonoridade mais pop. Conta com participações de músicos da África da Sul, Senegal, Nigéria, Malawi e Zimbabwe. Alem disso é considerado um dos pilares do que ficou conhecido como World Music – estilo musical popularizado por Peter Gabriel, David Byrne e Sting.

Um dos destaques de Graceland é o equilíbrio entre uma sonoridade mais pop com ritmos africanos, com vocais a capella, percussões a base de acordeon alem de participações de artistas africanos como a mama áfrica Miriam Makeba. Na verdade, o álbum foi gravado totalmente com músicos africanos.

Paul conseguiu misturar o estilo tradicional sul-africano mbaqanga – estruturas de três acordes e harmonias de acompanhamento que lembra muito o R&B, que Paul tanto admira – com seu estilo próprio de criar melodias pop fascinantes. O resultado é um dos momentos mais lindos da carreira do artista e da música mundial. Paul Simon provou que a música não tem fronteiras e que ela é capaz de unir culturas em um mesmo espaço.

O próprio Simon diria mais tarde que considera a faixa-título a melhor música que já compôs.



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Alice: Mais Que Um Conto De Fadas...

por johnny, 14 de ago. de 2010

Aos 145 anos, Alice está em todo lugar. De carona no blockbuster que Tim Burton preparou para a Disney, a história infantil criada em 1865 pelo escritor Lewis Carroll volta a marcar presença nas livrarias do país em um punhado de formatos e interpretações.

O fascínio que a obra de Lewis Carrol causa é imprescionante, mesmo depois de 145 anos da primeira publicação da sua obra mais conhecida. A saga da garota que despenca em um buraco no jardim e acorda em um mundo fantástico conquista jovens e adultos a cada geração.

Com pitadas de surrealismo e nonsense, Alice se mostra ainda hoje um tema contemporâneo e atraente, defende a professora de literatura da Universidade de São Paulo Maria dos Prazeres Mendes "'Alice no País das Maravilhas' é um clássico", categoriza Maria dos Prazeres, especializada em literatura infantil e juvenil. "[No livro] Carroll constrói uma linguagem inovadora, com marcas imensas de absurdo, que resgata a necessidade de uma adolescente em conhecer-se, adentrar a aventura da descoberta."

Para a professora, é partindo desse ponto comum a todos - a necessidade de se desvendar e entender - que a obra se mantém atraente para todas as gerações. "'Alice' não se equipara a contos de fadas. O efeito cômico, burlesco e popular, explicado em notas, continua atual e universal", garante.

Pop que remete ao clássico:

“É interessante ver que hoje há um caminho inverso ao que era percorrido anteriormente: agora, em vez de um filme ‘vir’ do livro, é o livro que tem seu apelo ressuscitado pelo cinema. Um bom exemplo é a trilogia cinematografica "O Senhor dos Anéis". A produção de Peter Jackson, sucesso estrondoso de público, fez subir as vendas das obras originais de J.R.R. Tolkien e, consequentemente, toda uma geração de leitores descobriram a literatura de uma das obras mais importantes e populares do século XX .

No mundo da música também não é diferente. Quando a banda de rock inglês The Police lançou sua obra prima "Synchronicity", baseado na obra de mesmo nome do psiquiatra austriaco Carl Gustav Jung, as vendas de sua obra aumentaram estrondosamente. A dupla inglesa Tears for Fears, com seu álbum de estréia " The Hurting (1983)", fortemente influenciado pelas teorias psicanalistas - principalmente a do grito primal - impulsionou as vendas das obras do psicanalista estadunidense Arthur Janov.

A obra de Caroll se mostra ainda atraente e contagiante. Com o sucesso do filme, boa parte devido aos talentos do diretor Tim Burtom e sua trupe inseparável - Johnny Depp, Helena Boham Carter e Danny Elfman (este último, responsável pelas trilhas sonoras dos longas de Burtom e autor de um dos maiores hits dos anos 80: "stay"), provavelmente a sua obra será ainda mais difundida, principalmente entre os jovens. O visual impactante do filme, com certeza, ajudará a dispertar a curiosidade de ler o que os olhos já se encantaram.

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